Não é por acaso que a palavra « Fado » tem as suas raizes no latim « Fatum » que significa destino.
Este, ao qual não podemos fugir e que condiciona os sentimentos ao ponto de os conduzir ao desespero, transporta,
nas melopeias nostálgicas deste canto popular, a alma portuguesa através do Mundo.

O Fadista canta o seu país, a sua cidade, os seus amores vãos ou prenhes d’esperança, enfim, toda a sua vida.
Ele exprime, graças a magníficos poemas, a consciência de todo o povo português,
as amarras a um certo romantismo, a sua melancolia, a sua compaixão,
o seu gosto pelo drama épico em todo o seu esplendor.

As origens incertas do Fado contribuem para o seu mistério e para a nossa fascinação por certas mágoas sentimentais.
O canto dos marinheiros portugueses que embarcavam para perigosas viagens,
evocando as dores duma longa separação podem,
eventualmente, estar na origem do que viria a chamar-se Fado « moderno ».
A não ser que este se tenha, subtilmente,
inspirado de músicas brasileiras sobejamente populares no século dezoito como, por exemplo, « o lundum » ou « a modinha ».

Seja como fôr e se Maria Severa, uma das primeiras mensageiras no século dezanove,
lhe deu os seus títulos de nobreza, é, indiscutìvelmente,
Mané quem perpetua a tradição desta saudade portuguesa.