Nascida em Lisboa, Mané passa uma parte da sua infância e adolescência em Moçambique onde ela estuda piano. Esta mestissagem de culturas não podia senão ajudar e deixar antever o desenvolvimento artístico da sua carreira.
De volta a Portugal ela termina os seus estudos musicais. Alguns anos mais tarde é no Porto que a carreira artística de Mané é apoiada pela fadista América Rosa e depois por Maria Da Fé que lhe oferece a oportunidade de se apresentar e cantar em Lisboa nas melhores « casas de Fado ». É numa destas que vê o dia uma primeira gravação « ao vivo » de dois Fados, um dos quais inédito. Primeiramente editados em « vinyl », estes dois títulos estão actualmente, disponíveis em C.D. em tres compilações : « Great Voices of Fado » (as Melhores Vozes do Fado),« Queens of Fado» distribuição DOM e « Thalassa Portugal », distribuição SONY.
Mané assina os seus primeiros contratos em 1975. Ela parte em « tournée » em 1976, dois anos pelo Canadá, dos quais um em Toronto e o outro em Montréal. Em 1982 ela participa numa « tournée » também de dois anos pela Alemanha com um grupo de folclore e de música tradicional portuguesa. Em 1986 ela volta ao Canadá antes de partir, durante nove meses para New-York onde é convidada a gravar uma emissão de televisão que lhe é inteiramente dedicada. Entre duas viagens, Mané volta a Portugal para dar alguns concertos.
Instalada em Paris há quase dez anos, ela comunga da sua paixão e da sua arte com alguns amadores das tradições portuguesas por diversos lugares e salas. Acompanhada de formações que podem ir de 2 a 5 músicos – 2 guitarras portuguesas, 1 guitarra clássica, 1 contrabaixo e 1 acordeão – ela é a prova de que o Fado resta uma música viva e apreciada. Com o seu timbre de voz forjado na intensidade duma vida rica em dores e paixões que lhe permitiram de se apoderar e de interpretar, de maneira muito pesoal, os cantos populares, Mané recria e relança, restituindo-lhe toda a sua autenticidade, o Fado tradicional.