1- VOLTA SE QUERES 3’03’’
(Fernando João / Nel Garcia)
Volta se queres
Volta, se queres ser feliz!
Se queres voltar a ter sol
Em cada manhã d'esperança.
Volta se queres
Ao teu amor de raiz
Aonde encontras por certo
Um doce olhar de criança.
Volta se queres
Encontrar a tua imagem!
Imagem d'alguém que quer
Ser gente p'ra ser verdade.
Volta se queres
Mudar o rumo à viagem
Que te roubou a coragem
De lutar p'la felicidade.
Volta se queres!
Não deixes morrer o tempo.
Não deixes que a voz do vento
Te desvie do que é certo.
Volta se queres,
Que não estás longe demais!
Se souberes p'ra onde vais
Todo o longe se faz perto.
2- AMOR DE FEL, AMOR DE MEL 3’34’’
(Amália Rodrigues / Carlos Gonçalves)
Tenho um amor
Que não posso confessar...
Mas posso chorar
Amor pecado, amor de amor,
Amor de mel, amor de flôr,
Amor de fel, amor maior,
Amor amado!
Refrão :
Tenho un amor
Amor de dôr, amor maior,
Amor chorado em tom menor
Em tom menor, maior o Fado!
Choro a chorar
Tornando maior o mar
Não posso deixar de amar
O meu amor em pecado!
Foi andorinha
Que chegou na Primavera,
Eu era quem era!
Amor pecado, amor de amor,
Amor de mel, amor de flôr,
Amor de fel, amor maior,
Amor amado!
Refrão :
Tenho un amor
Amor de dôr, amor maior,
Amor chorado em tom menor
Em tom menor, maior o Fado!
Choro a chorar
Tornando maior o mar
Não posso deixar de amar
O meu amor em pecado!
Fado maior
Cantado em tom de menor
Chorando o amor de dôr
Dôr d'um bem e mal amado!
3- ROSA MARIA 3’00’’
(João Dias / Moniz Pereira)
No bairro da Madragoa,
À Janela de Lisboa,
Nasceu a Rosa Maria.
Filha de gente vareira,
Foi criada na ribeira
Entre peixe e maresia.
Ao nascer, aquela Rosa
É a moça mais airosa
Que a lota já conheceu.
E toda a malta do mar
Murmura, ao vê-la passar
De chinela e perna ao léu.
Refrão :
Lá vai a Rosa Maria
Que é a alegria desta ribeira!
Ouve e ri à gargalhada,
Qualquer piada por mais brejeira.
Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
Que esta Rosa é peixe fino
P'rás malhas da tua rede.
O jovem Chico Fateixa
Já jurou que não a deixa,
Pois a paixão é teimosa.
É de tal modo a cegueira,
Que deu à sua traineira
O nome daquela Rosa!
E a flôr da Madragoa,
Ao ver escrito na prôa
Seu nome, Rosa Maria,
Abriu os braços ao Chico!
Começou o namorico
E vão casar qualquer dia!
Refrão :
Lá vai a Rosa Maria
Que é a alegria desta ribeira!
Ouve e ri à gargalhada,
Qualquer piada por mais brejeira.
Vai bugiar meu menino!
Não deites barro à parede
Que esta Rosa é peixe fino
P'rás malhas da tua rede.
4- NO SOPRO DESTA VOZ 3’48’’
(Fernando João / Alfredo Marceneiro)
No sopro desta voz
Que por ti vai cantando,
Há vestígios marcando
Um sonho já desfeito!
No sopro desta voz
Que se vai lamentando,
Há versos limitando
O meu amor perfeito.
No sopro desta voz
Desenham-se poemas,
Rimando singeleza
Com pétalas de flôr!
No sopro desta voz
Há razões bem supremas,
Que mantêm acesa
A chama do amor!
No sopro desta voz
Que por ti se levanta!
Há marcas de prazer
Inventando paixão!
Vamos ouvindo a sós
Uma alma que canta...
E vamos conhecer
A voz do coraçao!
5- ENCONTRO 3’17’’
(Mané / Nel Garcia)
Eu nasci em mês de Outono,
Liberta em meu abandono
De criança apetecida.
Soltei gritos de amargura,
Busquei braços de ventura,
Respirei ... E senti vida!
Em maré fria d'Inverno
Bebi luz de sol eterno,
Fui à procura de mim.
Só encontrei o meu corpo.
Leme de barco sem porto
Porque o mar o quis assim!
Depois, teimei em viver.
Fiz-me flôr só p'ra saber
Se alguém ao vê-la, parava...
E minha ânsia de quimera
Morreu nessa Primavera
Sem saber que te encontrava!
Então, sonhei que existias!
Pedi a Deus por meus dias,
Tive saudades de ti.
Encontrei-te em madrugada...
Amei-te numa alvorada...
Senti teu corpo ...e vivi!
6- UN POEMA EM CADA UM 2’32’’
(Fernando João / Miguel Ramos)
Em cada um de nós há um poema
Contando novos Fados, por cantar.
A vida será sempre o maior tema
Dos versos que ninguém vai decifrar.
Na alma, onde repousam mil quimeras,
Também vão repousando mil verdades!
No tempo das mais lindas Primaveras
Há versos que só falam de saudades!
Há sonhos construídos pela mente,
Que jamais terão forma de poesia.
O Mundo, na coragem decrescente,
Não quer sonhos rimando com poesia!
As coisas do amor ainda são
A musa mais real e mais suprema!
Se dermos voz ao nosso coração,
Em cada um de nós há um poema.
7- ALFAMA 3’02’’
(José Carlos Ary dos Santos / Alain Oulmain)
Quando Lisboa anoitece
Como um veleiro sem velas,
Alfama toda, parece
Uma casa sem janelas
Aonde o povo arrefece.
É numa água-furtada,
No espaço roubado à mágoa
Que Alfama fica fechada
Em quatro paredes d'água!
Quatro paredes de pranto!
Quatro muros d'ansiedade!
Que à noite fazem o canto
Que se acende na cidade!
Fechada em seu desencanto,
Alfama cheira a saudade!
Alfama não cheira a Fado,
Cheira povo, a solidão!
Cheira a silêncio magoado!
Sabe a tristeza com pão!
Alfama não cheira a Fado
Mas não tem outra canção!
8- PEDI À VIDA...SAUDADE 3’00’’
(Mané / Franklin Godinho)
Perguntou-me a vida um dia
Quem gostaria de ser.
Era tarde, e eu não sabia
Que vinha para morrer!
Tive sede do teu corpo!
Minha cama pediu Pão!
Chamei, chamei...Sem cessar
E a vida disse-me, não!
Busquei na voz, a verdade
D'um Fado apenas por mim.
Pedi a vida...Saudade
E a vida disse-me, sim!
Mas quando o corpo morrer
E o Mundo se rir, em vão!!
Pergunta se nos deixámos
E a vida dirá...Que não!
9- TEU NOME DE AREIA 3’21’’
(Mané / Acácio Gomes)
Teu nome sabe-me a dôr!
Sabe-me a areia e a flôr!
No meu sonho aberto ao frio
Teu nome de horas vadias,
Deixou minhas vazias!
Deixou gaivotas sem rio!
Teu nome feito de vento,
Levou para o mar o lamento
Que a vida foi proibindo.
Amor, amor feito nome...
Farrapo de mel e fome
Que eu canto e choro...Sorrindo!
Nome vivo ou decepado.
Nome, no sonho amarrado
À dôr de um país qualquer!
Desfaz teu peito em viagem,
Acorda a dôr dessa imagem,
Teu nome fez-me Mulher!
10- COMO SE CHAMA O SENTIR ? 4’12’’
(Fernando João / Cavalheiro Júnior)
Há quem chame poesia
Ao Fado que à noite canto.
Quem dê nome a este pranto
Que eu canto, lembrando o dia!
Como se chama o meu Fado
Que é em Fado transmitido?
Como se chama o sentido
Que canto, às vezes calado?
Como se chama este pranto
Chorado, às vezes a rir?
Como se chama o sentir
Que mesmo sem querer, eu canto?
Como se chama o que resta
Deste peito amargurado?
Não sei se presta ou não presta...
Mas sei que se chama Fado!
11- QUANDO SE GOSTA DE ALGUÉM 1’59’’
(Amália Rodrigues / Fontes Rocha)
Quando se gosta de alguém
Sente-se dentro da gente.
Ainda não percebi bem
Ao certo, o que é que se sente.
Quando se gosta de alguém
É de nós que não gostamos.
Perde-se o sono por quem
Perdidos de amor andamos.
Quando se gosta de alguém
Anda assim como eu.
Que não ando nada bem
Com este mal que me deu.
Quando se gosta de alguém
É como estar-se doente.
Quant mais amor se tem,
Pior a gente se sente.
Quando se gosta de alguém
Como eu gosto de quem gosto,
O desgosto que se tem
É desgosto, que dá gosto!
12- LONGA CAMIHADA
(Ana Madalena / Nel Garcia)
Cheguei ao meio da vida,
Desta longa caminhada.
Estou cansada, não vencida!
Se respiro, tenho vida!
Não posso ficar calada.
Trago um recado, un poema,
Para se ouvir entre nós.
Do fundo do coração
É dado por minha mão,
Cantado por minha voz..
Peço mais amor e paz
Para bem da Humanidade.
Mais carinho, mais calor,
Mais ternura, mais amor,
Mais luta pela verdade!
Cheguei ao meio da vida,
Desta longa caminhada.
Estou cansada, não vencida!
Se respiro, tenho vida!
Não quero ficar calada!!
13- GUITARRADA (medley)
Fado Mayer (Armandinho Freire)
Júlia Florista (Max)
Porto Santo (Max)
Rosinha dos Limões (Max)
Porto sentido (Rui Veloso)
Vou dar de beber à dôr (Alberto Janes)